sábado, 24 de outubro de 2009
mundo de sonho
Foi entrando devagarinho num mundo de sonho...um regresso ao passado, interno, adiado, secreto...calçou com muito cuidado os seus sapatinhos de nuvem, para não fazer barulho, encheu-se de sorrisos e mimos, e uma dúvida lá dentro e lá foi, pé ante pé... De repente, encontrava uma borboleta, e dava um salto. Mais à frente, deparava-se com outra, e dava outro saltito. Entrava e saía sem fazer barulho e, ora cheirava a algodão doce lá dentro, ora vinha cá fora espreitar por entre os espaços, numa brincadeira sem fim. Dava gargalhadas pequeninas sempre que passava uma borboleta, e rodopiava de alegria e emoção. Assim passava as horas, assim era delicioso ver o tempo passar, e de cada vez que se pendurava no tecto um relógio, a borboleta ajudava a dar o nó, entrelaçando os fios num abraço eterno, e seguro. E assim, continuava a sonhar, gargalhando e saltitando, entre mundos e asas coloridas, com os seus sapatinhos de nuvem, que ninguém reparava que tinha calçado...e no mundo de sonho não há gravador de cd!
terça-feira, 22 de setembro de 2009
gaivota
Estava azul o mar, quando tu apareceste. Calma, de pegadas suaves na lama e no lodo, caminhavas isolada, a observar. Como eu te estava a observar. Entre os fios de cabelo que voavam, deixava transparecer a melancolia que trazia no bolso, deixava fugir o olhar para um infinito incalculável numa viagem ao passado. Estavas de branco. Para mim, a cor da paz e da descontracção. Trazias água no bico. Eu logo vi.
Até que abriste a boca e levaste-me em viagens distantes. Umas de agora, outras de outrora, umas sem regresso, outras sem retorno. Estas coisas das viagens tem muito que se lhe diga, não te parece? Destinos cruzados, paraísos partilhados, cidades vazias. Tanta vez já nos cruzámos e nem sequer nos vimos. Sabes, o mundo é demasiado pequeno para nós.
Tens andado calada. Normalmente andas calada quando tens medo daquilo que tens vontade de dizer. É quando estás mais calada que mais te apetece gritar. Bem sei. Já te conheço. Guardas em ti o que é grande demais para esconder, e procuras em mim o que só hoje te posso dar. Mas não dou. Egoísta, eu sei. Mas tem de ser assim. Agora voa, eu fico aqui, a olhar o mar que corre por entre as árvores, com a vida estagnada por instantes de absorção no mundo animal, irreal, que nunca compreenderei.
Até que abriste a boca e levaste-me em viagens distantes. Umas de agora, outras de outrora, umas sem regresso, outras sem retorno. Estas coisas das viagens tem muito que se lhe diga, não te parece? Destinos cruzados, paraísos partilhados, cidades vazias. Tanta vez já nos cruzámos e nem sequer nos vimos. Sabes, o mundo é demasiado pequeno para nós.
Tens andado calada. Normalmente andas calada quando tens medo daquilo que tens vontade de dizer. É quando estás mais calada que mais te apetece gritar. Bem sei. Já te conheço. Guardas em ti o que é grande demais para esconder, e procuras em mim o que só hoje te posso dar. Mas não dou. Egoísta, eu sei. Mas tem de ser assim. Agora voa, eu fico aqui, a olhar o mar que corre por entre as árvores, com a vida estagnada por instantes de absorção no mundo animal, irreal, que nunca compreenderei.
sábado, 15 de agosto de 2009
inês
Ansiosa por te ver...ansiosa por te tocar, te cheirar, te sentir...vieste ao mundo para a fazeres feliz, e ela, ansiosa, contava os dias para te ter. Contava os minutos entre sorrisos, enquanto falávamos de ti, corria cima e baixo entre suspiros e alegrias, esperou por este dia mais tempo do que devia. De que serviu tanto querer? De que serve uma intenção quando tudo o resto não está ao nosso alcance, sob o nosso controlo? Rendo-me à finitude da vida e à ausência do choro inicial, rendo-me a ti, neste dia e sempre, porque não se pode ser feliz quando se está de luto.
Do outro lado do rio, consigo ter outra visão, sabias? Anda, vem cá, que eu conto-te o que vejo daqui... aos fundo as pedras são como as coisas da vida; a água que corre são os dias que passam; as flores e as ervas são os sentimentos e emoções que nos preenchem; e os passarinhos que cantam e voam, a dança e a música dos dias de solidão. Sabes, deste lado do rio, mesmo estando mais longe, ainda consigo ver-te. Deste lado do rio, ainda consigo olhar para ti, e ver que ao teu lado estão as pedras, a água, as flores e os pássaros, e que quando tu conseguires ver o que que eu vejo, serás capaz de voltar a sorrir, pois vais perceber que tudo permaneceu lá, incluíndo tu. Tu estás viva. Lembra-te apenas disto. Podes sempre ter esperança ainda. E um beijo meu.
Do outro lado do rio, consigo ter outra visão, sabias? Anda, vem cá, que eu conto-te o que vejo daqui... aos fundo as pedras são como as coisas da vida; a água que corre são os dias que passam; as flores e as ervas são os sentimentos e emoções que nos preenchem; e os passarinhos que cantam e voam, a dança e a música dos dias de solidão. Sabes, deste lado do rio, mesmo estando mais longe, ainda consigo ver-te. Deste lado do rio, ainda consigo olhar para ti, e ver que ao teu lado estão as pedras, a água, as flores e os pássaros, e que quando tu conseguires ver o que que eu vejo, serás capaz de voltar a sorrir, pois vais perceber que tudo permaneceu lá, incluíndo tu. Tu estás viva. Lembra-te apenas disto. Podes sempre ter esperança ainda. E um beijo meu.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
de costas voltadas
Quando olhei para trás, já lá não estavas... tinhas seguido o teu caminho, na direcção oposta à minha, para um lugar longe, onde não te conseguia ver, do sítio onde fiquei parada, estupefacta ao ver-te partir, vazia de argumentos e cheia de dúvidas. Chorei a tua ausência durante dias a fio. Hoje olho para trás e apenas fica a silhueta, os contornos da tua imagem, as frases inacabadas e as palavras no ar, desorganizadas. Procurei em mim a plasticidade que me permitiria reorganizar o texto, mas o vento soprou mais forte e tu desfizeste-te em pensamentos soltos e intenções sem propósito. Continuei o meu caminho, confiante e já sem ti, e quando tu correste para me apanhar, já eu tinha saído do meu altar. Andamos como cão e gato, num jogo que oscila entre a brincadeira de animais inocentes e a fúria de quem quer vencer.
Andamos em direcções opostas e, provavelmente, como "o mundo é pequeno e redondo", voltaremos a encontrar-nos por aí, frente a frente outra vez, para mais uma guerra fria e promessas de nunca nos largarmos. Como uma pista de carros, oval e monótona, a vida é feita de voltas e voltas, apetece-me cantar: "as voltas desta vida, trouxeram-nos aqui... (...) é assim mesmo, é para mim e é para ti! Se olhares com cuidado, verás muito mais além... (...) é assim mesmo, faz viver e sonhar também, faz viver e sonhar também...". Bons tempos...
Há cerca de um mês alguém me disse: "os bons tempos são agora, pois daqui a uns anos vais estar a referir-te aos tempos de agora como "os bons tempos"". Certo. Concordo. Vivo por isso cada dia feliz por existir, feliz por ser feliz e apenas trago em mim todos os contos de fadas que já vivi, as voltas que dei, todas as palavras que escrevi e todas as canções que cantei.
Hegel tinha razão. Voltarei a ti, mas serei já outra, mais completa e preenchida, com mais bagagem e menos certezas. E tudo serão bons tempos.
Andamos em direcções opostas e, provavelmente, como "o mundo é pequeno e redondo", voltaremos a encontrar-nos por aí, frente a frente outra vez, para mais uma guerra fria e promessas de nunca nos largarmos. Como uma pista de carros, oval e monótona, a vida é feita de voltas e voltas, apetece-me cantar: "as voltas desta vida, trouxeram-nos aqui... (...) é assim mesmo, é para mim e é para ti! Se olhares com cuidado, verás muito mais além... (...) é assim mesmo, faz viver e sonhar também, faz viver e sonhar também...". Bons tempos...
Há cerca de um mês alguém me disse: "os bons tempos são agora, pois daqui a uns anos vais estar a referir-te aos tempos de agora como "os bons tempos"". Certo. Concordo. Vivo por isso cada dia feliz por existir, feliz por ser feliz e apenas trago em mim todos os contos de fadas que já vivi, as voltas que dei, todas as palavras que escrevi e todas as canções que cantei.
Hegel tinha razão. Voltarei a ti, mas serei já outra, mais completa e preenchida, com mais bagagem e menos certezas. E tudo serão bons tempos.
sábado, 13 de junho de 2009
distância
Tenho andado para te dizer várias coisas. Tenho andado para voltar a ti e deixar-te saber o que trago em mim. Sabes, tenho medo de me afastar tanto que já não te consiga olhar. Tenho medo que cresçam cidades e mundos entre nós, montanhas infinitas e trajectos de desespero. Entre as barreiras do espaço, rasgam pensamentos ousados e sonhos secretos. Entre aquilo que te disse e o que não te escrevi, está aquilo que não sabes.
Qualquer dia habituo-me à distância. Qualquer dia entro sem bater à porta e já não te conheço. Ou não me conheço a mim.
Qualquer dia habituo-me à distância. Qualquer dia entro sem bater à porta e já não te conheço. Ou não me conheço a mim.
domingo, 7 de junho de 2009
sexta-feira, 10 de abril de 2009
intermitências
Lembras-te...um dia perguntaram-te qual seria o teu papel nesta vida e neste mundo. Na altura, não soubeste o que responder. Encolheste os ombros e disseste envergonhada: Não sei! Do lado de lá recebeste um suspiro e uma face de redenção que te dizia: tenho a certeza que o teu papel neste mundo é para me infernizares a vida. É para eu viver descansado e, de cada vez que tu apareces, a minha vida dá uma volta, uma reviravolta, uma cambalhota. Vira-se do avesso, volta a virar-se de pernas para o ar, o meu mundo desaba porque eu te amo e vou amar-te sempre.
No outro dia...no outro dia ouvi alguém dizer a uma mulher, que outra, era quem realmente no mundo inteiro lhe conseguia partir o coração. Isso sim, partiu-me o coração. Nessa altura, lembrei-me desta história, e aquilo que se calhar nunca percebeste, mas aquilo que de facto foi querido dizer foi que tu eras capaz de lhe partir o coração. Devias sentir-te lisonjeado, não tens a consciência que a tua vida pode afectar tanto, tanto, a vida de outra pessoa. Que podes manipular, apenas coma tua presença, inverter o sentido, apenas com o teu sorriso. A verdade é que a vontade de seguir com o que havia deixava de existir quando os olhares se cruzavam. Se calhar, eras mesmo capaz de lhe partir o coração...
Às vezes pensas porque é que damos um passo em frente e dois atrás. Às vezes pensas porque é que tens vontade de voltar ao ninho, àquilo que é teu, e que é só teu, mas que te esqueces...esqueces-te que para os outros, o teu passado não é igual, é outra coisa diferente do seu passado. Quando se tentam reviver emoções, quando se tentam reavivar sentimentos, não é possível, a tua visão nunca será a do outro, a visão do outro jamais será a tua. Partir o coração de alguém é muito cruel, mas é ao mesmo tempo capaz de denunciar o mundo inteiro dessa pessoa e quiçá o teu. Capaz de abanar as estruturas, capaz de silenciar os gritos, capaz de adormecer o teu abraço. Às vezes, partir o coração de outra pessoa muda tudo. Às vezes, voltar a isso, não traz nada de novo ou de melhor. As recordações são preciosidades que devemos preservar intactas ou podemos ir de vez em quando sentir o cheiro que essa recordação nos traz. Ser-nos-á permitido entrar de novo no passado, fazer a viagem do tempo tão desejada? Far-nos-á bem vasculhar, será que entendemos os nossos sentimentos? De cada vez que tu ligas, parece que passaram 5 anos e há sempre coisas para te contar, porque de facto, passaram 5 anos. Sentes ainda que és o mesmo, sentes ainda que podia ser poderoso, mas não consegues sentir que lhe pudesses ainda partir o coração. Talvez porque no fundo não o desejas.
No outro dia...no outro dia ouvi alguém dizer a uma mulher, que outra, era quem realmente no mundo inteiro lhe conseguia partir o coração. Isso sim, partiu-me o coração. Nessa altura, lembrei-me desta história, e aquilo que se calhar nunca percebeste, mas aquilo que de facto foi querido dizer foi que tu eras capaz de lhe partir o coração. Devias sentir-te lisonjeado, não tens a consciência que a tua vida pode afectar tanto, tanto, a vida de outra pessoa. Que podes manipular, apenas coma tua presença, inverter o sentido, apenas com o teu sorriso. A verdade é que a vontade de seguir com o que havia deixava de existir quando os olhares se cruzavam. Se calhar, eras mesmo capaz de lhe partir o coração...
Às vezes pensas porque é que damos um passo em frente e dois atrás. Às vezes pensas porque é que tens vontade de voltar ao ninho, àquilo que é teu, e que é só teu, mas que te esqueces...esqueces-te que para os outros, o teu passado não é igual, é outra coisa diferente do seu passado. Quando se tentam reviver emoções, quando se tentam reavivar sentimentos, não é possível, a tua visão nunca será a do outro, a visão do outro jamais será a tua. Partir o coração de alguém é muito cruel, mas é ao mesmo tempo capaz de denunciar o mundo inteiro dessa pessoa e quiçá o teu. Capaz de abanar as estruturas, capaz de silenciar os gritos, capaz de adormecer o teu abraço. Às vezes, partir o coração de outra pessoa muda tudo. Às vezes, voltar a isso, não traz nada de novo ou de melhor. As recordações são preciosidades que devemos preservar intactas ou podemos ir de vez em quando sentir o cheiro que essa recordação nos traz. Ser-nos-á permitido entrar de novo no passado, fazer a viagem do tempo tão desejada? Far-nos-á bem vasculhar, será que entendemos os nossos sentimentos? De cada vez que tu ligas, parece que passaram 5 anos e há sempre coisas para te contar, porque de facto, passaram 5 anos. Sentes ainda que és o mesmo, sentes ainda que podia ser poderoso, mas não consegues sentir que lhe pudesses ainda partir o coração. Talvez porque no fundo não o desejas.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
variações
Deixares arrefecer a vida em ti não é boa política. Nunca foi. Nem a comida requentada tem o mesmo sabor, quanto mais as emoções. De qualquer forma, o guardar e aguardar tem a sua validade, pois o que permanece e ganha pó é aquilo que de facto importa manter.
Ontem aprendemos juntos algo sobre nós. Uma das coisas mais preciosas que temos é a nossa vida e o que ela acarreta inevitavelmente. As vivências, as experiências, as tentativas, as recaídas. Julgas haver o micro-ondas do amor, mas lamento informar-te, nunca saberá ao mesmo.
Mas eu percebo-te. Não poderia dizer o contrário, pois estaria a mentir-te. É bom voltar, às vezes, é bom recair e é difícil distinguir o que já fomos do que somos hoje. Dissolvem-se os sentimentos, derretem, e espalham-se pelo tempo fora, mesmo passados dias, meses ou anos. Espalham-se como mel, lentamente, por entre os dias, ao longo do caminho que teimamos em fazer sem ser felizes. Num instante se quer o que já não se quis, num instante se quebra o que já existiu.
E como saber se é desejo ou é orgulho, se é vingança ou solidão? Qualquer uma das quatro hipóteses é válida, numa mesma situação. Esta é a pergunta que anseias ver respondida, ou não será? E se soubesses tudo, e se tudo fosse seguro? E se o teu número for outro? E se, e se... anda, faz o que te digo. Deixa passar os dias, mas não deixes passar a vida. Se precisas de procurar, procura, deixa tudo o resto para trás. Se precisas de ficar, deixa-te parar, mas não cantes Variações. Vai onde tiveres de ir, olha para quem tiveres de olhar, sorri para quem tiveres de sorrir...mas faz por ti o que mais ninguém faria: procura ser feliz... e bebe cuba libre.
E ainda te estou a dever uma...
Ontem aprendemos juntos algo sobre nós. Uma das coisas mais preciosas que temos é a nossa vida e o que ela acarreta inevitavelmente. As vivências, as experiências, as tentativas, as recaídas. Julgas haver o micro-ondas do amor, mas lamento informar-te, nunca saberá ao mesmo.
Mas eu percebo-te. Não poderia dizer o contrário, pois estaria a mentir-te. É bom voltar, às vezes, é bom recair e é difícil distinguir o que já fomos do que somos hoje. Dissolvem-se os sentimentos, derretem, e espalham-se pelo tempo fora, mesmo passados dias, meses ou anos. Espalham-se como mel, lentamente, por entre os dias, ao longo do caminho que teimamos em fazer sem ser felizes. Num instante se quer o que já não se quis, num instante se quebra o que já existiu.
E como saber se é desejo ou é orgulho, se é vingança ou solidão? Qualquer uma das quatro hipóteses é válida, numa mesma situação. Esta é a pergunta que anseias ver respondida, ou não será? E se soubesses tudo, e se tudo fosse seguro? E se o teu número for outro? E se, e se... anda, faz o que te digo. Deixa passar os dias, mas não deixes passar a vida. Se precisas de procurar, procura, deixa tudo o resto para trás. Se precisas de ficar, deixa-te parar, mas não cantes Variações. Vai onde tiveres de ir, olha para quem tiveres de olhar, sorri para quem tiveres de sorrir...mas faz por ti o que mais ninguém faria: procura ser feliz... e bebe cuba libre.
E ainda te estou a dever uma...
sábado, 7 de março de 2009
cores primárias
Um dia roubo-te as palavras, quando não souber o que dizer, ou como o fazer...sabes a lemas e desabafos, enches todo o espírito que a imaginação pode preencher, encantas corações com poesia e contas histórias, sem pontos acrescentados.
Já te li, já te escrevi, já te imaginei, sem perguntar nada. Foi sem querer que bateste à porta do sonho. Foi sem querer que te folheei.
Um dia alguém disse: Inspiro-me nos melhores para seguir o rumo certo. Sim, sem dúvida, beberei de ti o sumo da vida, procurarei saber tudo, até a que sabe a lua.
Mas sou como a outra, também como eu: Gosto das primeiras palavras, com toque de silêncio envergonhado. Gosto do pequeno ponto azul e do pequeno ponto amarelo. Gosto quando se abraçam e se unem simbioticamente num verde novo. A descoberta, a mistura, a permeabilidade das relações, a eficácia de um olhar. Quando te toquei a primeira vez, tudo era novo, tudo se tornou verde, quando dissemos as primeiras palavras. Mesmo sendo esse um abraço que carregava no seu movimento um aperto de carinho enorme e amor incondicional, um daqueles que duram muitos minutos, e em que a intensidade apenas aumenta, para se fundirem os dois num só. Mas mesmo esse abraço, esse mesmo grande e bom, deixou saudades nos pontos, muitas saudades em cada ponto. E foi com as lágrimas que voltámos a ser o pequeno ponto azul e o pequeno ponto amarelo, e se divorciaram as cores. Foi com a saudade de nós próprios, mesmo gostando do abraço verde. Mesmo gostando de ti.
Já te li, já te escrevi, já te imaginei, sem perguntar nada. Foi sem querer que bateste à porta do sonho. Foi sem querer que te folheei.
Um dia alguém disse: Inspiro-me nos melhores para seguir o rumo certo. Sim, sem dúvida, beberei de ti o sumo da vida, procurarei saber tudo, até a que sabe a lua.
Mas sou como a outra, também como eu: Gosto das primeiras palavras, com toque de silêncio envergonhado. Gosto do pequeno ponto azul e do pequeno ponto amarelo. Gosto quando se abraçam e se unem simbioticamente num verde novo. A descoberta, a mistura, a permeabilidade das relações, a eficácia de um olhar. Quando te toquei a primeira vez, tudo era novo, tudo se tornou verde, quando dissemos as primeiras palavras. Mesmo sendo esse um abraço que carregava no seu movimento um aperto de carinho enorme e amor incondicional, um daqueles que duram muitos minutos, e em que a intensidade apenas aumenta, para se fundirem os dois num só. Mas mesmo esse abraço, esse mesmo grande e bom, deixou saudades nos pontos, muitas saudades em cada ponto. E foi com as lágrimas que voltámos a ser o pequeno ponto azul e o pequeno ponto amarelo, e se divorciaram as cores. Foi com a saudade de nós próprios, mesmo gostando do abraço verde. Mesmo gostando de ti.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
para a minha fã
Por vezes, escrevemos coisas que não queremos que sejam lidas, outras vezes deixamos de escrever coisas que queremos realmente dizer. Contigo foi assim. Vou contar-te uma história. Sem princípio, meio ou fim, apenas um momento, um instante inseguro, um sorriso sincero.
Saíste de casa sem saber para onde ias. A força que te mandava comandava os teus passos, procuravas dentro de ti a forma de seres tu própria. Nesse dia, trouxeste para casa uma nova pessoa, que vivia contigo, porque te tinhas encontrado. Nascia mais uma vez o sol, rebolavas resmungona entre os lençóis e enfiavas a cabeça na almofada enquanto sussurravas uma canção de embalar. Ali não tinhas segredos. O teu canto, o teu cheiro, o teu suspiro, o teu desenho. Tu e mais ninguém, tu só tu própria, numa tarde quente de verão, cheia de gente, e tu ali, plena e curiosa. Falavas e sabias que ele te ouvia, sorrias e sabias que ele ria contigo, punhas nos outros aquilo que não cabia em ti, encaixavas-te aos bocados no que restava das memórias. Mas estavas feliz. A tua gargalhada ouvia-se no zénite do mundo, e ecoava por entre as folhas dos plátanos verdes. Ias ao teu baloiço preferido e por lá te perdias, em horas de notas soltas, em melodias de vai-vem, numa dança de balancé. Quando deste por ti, estavas crescida. Olhavas-te aos espelho e reconhecias todos os traços daquilo que já tinhas sido. Relembraste a gargalhada que ofereceste ao outro lado do mundo, sentiste por dentro o balançar do coração, voltaste a encher-te daquilo que tinhas deixado para trás. E nesse dia soubeste que eras e sempre foste, a minha doce fã.
Saíste de casa sem saber para onde ias. A força que te mandava comandava os teus passos, procuravas dentro de ti a forma de seres tu própria. Nesse dia, trouxeste para casa uma nova pessoa, que vivia contigo, porque te tinhas encontrado. Nascia mais uma vez o sol, rebolavas resmungona entre os lençóis e enfiavas a cabeça na almofada enquanto sussurravas uma canção de embalar. Ali não tinhas segredos. O teu canto, o teu cheiro, o teu suspiro, o teu desenho. Tu e mais ninguém, tu só tu própria, numa tarde quente de verão, cheia de gente, e tu ali, plena e curiosa. Falavas e sabias que ele te ouvia, sorrias e sabias que ele ria contigo, punhas nos outros aquilo que não cabia em ti, encaixavas-te aos bocados no que restava das memórias. Mas estavas feliz. A tua gargalhada ouvia-se no zénite do mundo, e ecoava por entre as folhas dos plátanos verdes. Ias ao teu baloiço preferido e por lá te perdias, em horas de notas soltas, em melodias de vai-vem, numa dança de balancé. Quando deste por ti, estavas crescida. Olhavas-te aos espelho e reconhecias todos os traços daquilo que já tinhas sido. Relembraste a gargalhada que ofereceste ao outro lado do mundo, sentiste por dentro o balançar do coração, voltaste a encher-te daquilo que tinhas deixado para trás. E nesse dia soubeste que eras e sempre foste, a minha doce fã.
domingo, 4 de janeiro de 2009
novo ano
Flutua a dança dos dias, apressados, sem tempo para tudo. Estudam-se sentimentos, analisa-se o passado, muda-se a casa e o ninho, espera-se um amanhã feliz e come-se 12 passas à pressa, antes que seja meia-noite e um. Já com saudades de dar ao dedo, corres para o teu canto, agora de novo e como se fosse a primeira vez. Percorres as linhas como se nunca tivesses juntado as letras, da mesma forma como olhas o horizonte sem saberes exactamente o que pretendes ver. Acendes a vela de cheiro, dás um novo ambiente ao que te rodeia, renovas o ar, limpas o pó às memórias. Hoje é domingo, tens desculpa para essa melancolia. Mas só hoje. Amanhã é dia de sonhar de novo, de sair de casa com cara lavada e coração aberto. Vestes a roupa de ti próprio, arrumas os vestidos e os segredos e caminhas pelo mundo em direcção ao que te preenche os dias. É dia de sonho, é um novo fôlego entre tempos de preguiça, é altura de seguir em frente com certeza de decisões não seguras. Mas é certo, o dia da procura, é certo o rumo da melodia, é certo o teu abraço, num dia de sabor a goma de morango.
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