Estava azul o mar, quando tu apareceste. Calma, de pegadas suaves na lama e no lodo, caminhavas isolada, a observar. Como eu te estava a observar. Entre os fios de cabelo que voavam, deixava transparecer a melancolia que trazia no bolso, deixava fugir o olhar para um infinito incalculável numa viagem ao passado. Estavas de branco. Para mim, a cor da paz e da descontracção. Trazias água no bico. Eu logo vi.
Até que abriste a boca e levaste-me em viagens distantes. Umas de agora, outras de outrora, umas sem regresso, outras sem retorno. Estas coisas das viagens tem muito que se lhe diga, não te parece? Destinos cruzados, paraísos partilhados, cidades vazias. Tanta vez já nos cruzámos e nem sequer nos vimos. Sabes, o mundo é demasiado pequeno para nós.
Tens andado calada. Normalmente andas calada quando tens medo daquilo que tens vontade de dizer. É quando estás mais calada que mais te apetece gritar. Bem sei. Já te conheço. Guardas em ti o que é grande demais para esconder, e procuras em mim o que só hoje te posso dar. Mas não dou. Egoísta, eu sei. Mas tem de ser assim. Agora voa, eu fico aqui, a olhar o mar que corre por entre as árvores, com a vida estagnada por instantes de absorção no mundo animal, irreal, que nunca compreenderei.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
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