sexta-feira, 10 de abril de 2009

intermitências

Lembras-te...um dia perguntaram-te qual seria o teu papel nesta vida e neste mundo. Na altura, não soubeste o que responder. Encolheste os ombros e disseste envergonhada: Não sei! Do lado de lá recebeste um suspiro e uma face de redenção que te dizia: tenho a certeza que o teu papel neste mundo é para me infernizares a vida. É para eu viver descansado e, de cada vez que tu apareces, a minha vida dá uma volta, uma reviravolta, uma cambalhota. Vira-se do avesso, volta a virar-se de pernas para o ar, o meu mundo desaba porque eu te amo e vou amar-te sempre.
No outro dia...no outro dia ouvi alguém dizer a uma mulher, que outra, era quem realmente no mundo inteiro lhe conseguia partir o coração. Isso sim, partiu-me o coração. Nessa altura, lembrei-me desta história, e aquilo que se calhar nunca percebeste, mas aquilo que de facto foi querido dizer foi que tu eras capaz de lhe partir o coração. Devias sentir-te lisonjeado, não tens a consciência que a tua vida pode afectar tanto, tanto, a vida de outra pessoa. Que podes manipular, apenas coma tua presença, inverter o sentido, apenas com o teu sorriso. A verdade é que a vontade de seguir com o que havia deixava de existir quando os olhares se cruzavam. Se calhar, eras mesmo capaz de lhe partir o coração...
Às vezes pensas porque é que damos um passo em frente e dois atrás. Às vezes pensas porque é que tens vontade de voltar ao ninho, àquilo que é teu, e que é só teu, mas que te esqueces...esqueces-te que para os outros, o teu passado não é igual, é outra coisa diferente do seu passado. Quando se tentam reviver emoções, quando se tentam reavivar sentimentos, não é possível, a tua visão nunca será a do outro, a visão do outro jamais será a tua. Partir o coração de alguém é muito cruel, mas é ao mesmo tempo capaz de denunciar o mundo inteiro dessa pessoa e quiçá o teu. Capaz de abanar as estruturas, capaz de silenciar os gritos, capaz de adormecer o teu abraço. Às vezes, partir o coração de outra pessoa muda tudo. Às vezes, voltar a isso, não traz nada de novo ou de melhor. As recordações são preciosidades que devemos preservar intactas ou podemos ir de vez em quando sentir o cheiro que essa recordação nos traz. Ser-nos-á permitido entrar de novo no passado, fazer a viagem do tempo tão desejada? Far-nos-á bem vasculhar, será que entendemos os nossos sentimentos? De cada vez que tu ligas, parece que passaram 5 anos e há sempre coisas para te contar, porque de facto, passaram 5 anos. Sentes ainda que és o mesmo, sentes ainda que podia ser poderoso, mas não consegues sentir que lhe pudesses ainda partir o coração. Talvez porque no fundo não o desejas.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

variações

Deixares arrefecer a vida em ti não é boa política. Nunca foi. Nem a comida requentada tem o mesmo sabor, quanto mais as emoções. De qualquer forma, o guardar e aguardar tem a sua validade, pois o que permanece e ganha pó é aquilo que de facto importa manter.
Ontem aprendemos juntos algo sobre nós. Uma das coisas mais preciosas que temos é a nossa vida e o que ela acarreta inevitavelmente. As vivências, as experiências, as tentativas, as recaídas. Julgas haver o micro-ondas do amor, mas lamento informar-te, nunca saberá ao mesmo.
Mas eu percebo-te. Não poderia dizer o contrário, pois estaria a mentir-te. É bom voltar, às vezes, é bom recair e é difícil distinguir o que já fomos do que somos hoje. Dissolvem-se os sentimentos, derretem, e espalham-se pelo tempo fora, mesmo passados dias, meses ou anos. Espalham-se como mel, lentamente, por entre os dias, ao longo do caminho que teimamos em fazer sem ser felizes. Num instante se quer o que já não se quis, num instante se quebra o que já existiu.
E como saber se é desejo ou é orgulho, se é vingança ou solidão? Qualquer uma das quatro hipóteses é válida, numa mesma situação. Esta é a pergunta que anseias ver respondida, ou não será? E se soubesses tudo, e se tudo fosse seguro? E se o teu número for outro? E se, e se... anda, faz o que te digo. Deixa passar os dias, mas não deixes passar a vida. Se precisas de procurar, procura, deixa tudo o resto para trás. Se precisas de ficar, deixa-te parar, mas não cantes Variações. Vai onde tiveres de ir, olha para quem tiveres de olhar, sorri para quem tiveres de sorrir...mas faz por ti o que mais ninguém faria: procura ser feliz... e bebe cuba libre.
E ainda te estou a dever uma...