sexta-feira, 31 de outubro de 2008

segredo

Sabes...vou contar-te um segredo. Chega aqui, encosta o teu ouvido à minha boca, ouve o meu murmúrio e o meu suspiro. Sente o quente das minhas palavras, guarda na memória a gramática do meu lamento. Deixa-te ficar, ouve o som do mar, e voa comigo para fora daqui. Sei que sabes o caminho, não conheço a paisagem, não me consigo orientar entre coordenadas baralhadas e latitudes alteradas. De que serve a vida se não for bilateral, dinâmica? Carregada de movimento, embuída em sonhos vãos e outros bons, tem a capacidade de tirar o tapete debaixo dos pés, naquela fracção de segundo em que olhamos um para o outro. Ainda tens o teu ouvido encostado à minha boca. E já passou tanto tempo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

lema de vida

Bem, ontem aprendi o lema que mudou a minha vida. Isto de estarmos sempre a aprender é bom, pois permite-nos reciclar pensamentos, anular preconceitos, conhecer novas visões e encontrar novos estímulos. Basta que para isso tenhamos uma mente permeável às palavras, às ideias, às pessoas e aos lugares. Se já existiram pessoas que mudaram a minha vida, se já visitei lugares únicos que mudaram a minha forma de ser, se já parei para sentir o cheiro das flores, porque não abrir os ouvidos e ser criativa e deixar que o que os outros dizem possa fazer eco cá dentro? Por vezes as pessoas, criaturas seguras de si e dos outros, esquecem-se que podem tropeçar na vida, como podem tropeçar em outras pessoas, como podem tropeçar em situações embaraçosas ou positivamente surpreendentes. Pois que eu ontem tropecei em alguém e nas suas palavras, ontem gargalhei e cresci mais um pouco, porque a vida sem os outros não tinha graça nenhuma (pareço o tio Malato a falar!)!
Bom, a verdade, no fundo é que, segundo passei a acreditar ontem, não vale a pena passar pela vida com uma palas postas no olhos, até porque aquilo não dá jeito nenhum quando se quer olhar para trás. E como às vezes é tão importante olhar para trás, reflectir, equacionar e poder alterar ou alterar-nos. E segundo o nosso escritor Lobo Antunes, "uma pessoa que não tenha os seus mortos, não tem os seus vivos também." Quer ele com isto dizer que quem por nós já passou tem tanta importância como quem connosco vive, ou seja, vivos ou mortos, os amigos do passado constituem-nos como nós somos, e permitem-nos dar valor aos do presente, aos de hoje. A importância da história para a contemporaneidade. A importância da memória para a consciência de hoje. A importância de ontem ter passado no Chiado e ter lido esta frase, para hoje estar a dar valor à minha vida, aos meus amigos, família e à escrita. Aos de hoje e aos de ontem, porque as saudades fazem parte de mim.
Mas após a correria matinal e o frio da manhã, o cheiro a bolos quentes e o suor de quem corre atrasado, cheguei ao meu destino. E já tinha aprendido tanto no caminho!! E lá estava ele, bonacheirão, gordo, de óculos de massa preta e olhos postos em mim, a endiabrada (leia-se atrasada), a chegar tarde e más horas, cabelo nos olhos e faces rosadas. E de repente, ainda mal tinha entrado, recebo um sorriso, e uma sugestão provocatória: "pois então, agora que já chegou diga lá o que é que acha de mim." "Desculpe?", perguntei eu. "Com certeza, é só um segundo. Hmm.." E assim começou a conversa. Interminável, jocosa, jovial, cúmplice, divertida. Quando for professora quero ser assim! Hihih...
A auto-confiança traduz-se em auto-eficácia, e filosofias à parte, a vida é para ser vivida com um sorriso, pois quer queiramos ou não, simpatia gera simpatia, e antipatia gera antipatia. E no meio desta situação, naquele lugar, ouvi algo que me retrata, pois eu sou uma pessoa simples e gosto de me divertir.
O meu lema é muito simples, e não é só meu. É simplesmente uma brincadeira, uma gargalhada com a vida,um resultado da minha preguiça natural, do meu ritmo biológico alterado e teimoso, um espreguiçar matutino e um ronronar na cama pelo qual sou apaixonada. É que no fundo, desde ontem que acho que "mais vale de tarde, que nunca".

terça-feira, 7 de outubro de 2008

fora de horas

"De cada vez que eu chegava, tu já lá estavas. Como se nunca tivesses saído. Ou como se tivesses saído e eu chegasse sempre atrasada. Fazias-me sentir atrasada. Mas na realidade, o que acontecia é que tu é que chegavas sempre cedo, e bastava que eu chegasse a horas para sentir que devia ter chegado antes. No fundo, tu é que não estavas correcto, pois nunca acertavas com a hora certa, a hora marcada. Às vezes chegar a horas também é cumprir. E chegar sempre demasiado cedo não é boa política, estás sempre fora de horas, assim.
Por isso já sabes. Não chegues demasiado cedo e não te atrases. Encontramo-nos à hora que o meu coração marcou."

Já estou fora de horas, mais uma vez. Texto escrito ontem, dia 06/10/2008, chega com um dia e meia dúzia de horas de atraso. As minhas desculpas.