terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

para a minha fã

Por vezes, escrevemos coisas que não queremos que sejam lidas, outras vezes deixamos de escrever coisas que queremos realmente dizer. Contigo foi assim. Vou contar-te uma história. Sem princípio, meio ou fim, apenas um momento, um instante inseguro, um sorriso sincero.

Saíste de casa sem saber para onde ias. A força que te mandava comandava os teus passos, procuravas dentro de ti a forma de seres tu própria. Nesse dia, trouxeste para casa uma nova pessoa, que vivia contigo, porque te tinhas encontrado. Nascia mais uma vez o sol, rebolavas resmungona entre os lençóis e enfiavas a cabeça na almofada enquanto sussurravas uma canção de embalar. Ali não tinhas segredos. O teu canto, o teu cheiro, o teu suspiro, o teu desenho. Tu e mais ninguém, tu só tu própria, numa tarde quente de verão, cheia de gente, e tu ali, plena e curiosa. Falavas e sabias que ele te ouvia, sorrias e sabias que ele ria contigo, punhas nos outros aquilo que não cabia em ti, encaixavas-te aos bocados no que restava das memórias. Mas estavas feliz. A tua gargalhada ouvia-se no zénite do mundo, e ecoava por entre as folhas dos plátanos verdes. Ias ao teu baloiço preferido e por lá te perdias, em horas de notas soltas, em melodias de vai-vem, numa dança de balancé. Quando deste por ti, estavas crescida. Olhavas-te aos espelho e reconhecias todos os traços daquilo que já tinhas sido. Relembraste a gargalhada que ofereceste ao outro lado do mundo, sentiste por dentro o balançar do coração, voltaste a encher-te daquilo que tinhas deixado para trás. E nesse dia soubeste que eras e sempre foste, a minha doce fã.

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