sábado, 15 de agosto de 2009

inês

Ansiosa por te ver...ansiosa por te tocar, te cheirar, te sentir...vieste ao mundo para a fazeres feliz, e ela, ansiosa, contava os dias para te ter. Contava os minutos entre sorrisos, enquanto falávamos de ti, corria cima e baixo entre suspiros e alegrias, esperou por este dia mais tempo do que devia. De que serviu tanto querer? De que serve uma intenção quando tudo o resto não está ao nosso alcance, sob o nosso controlo? Rendo-me à finitude da vida e à ausência do choro inicial, rendo-me a ti, neste dia e sempre, porque não se pode ser feliz quando se está de luto.
Do outro lado do rio, consigo ter outra visão, sabias? Anda, vem cá, que eu conto-te o que vejo daqui... aos fundo as pedras são como as coisas da vida; a água que corre são os dias que passam; as flores e as ervas são os sentimentos e emoções que nos preenchem; e os passarinhos que cantam e voam, a dança e a música dos dias de solidão. Sabes, deste lado do rio, mesmo estando mais longe, ainda consigo ver-te. Deste lado do rio, ainda consigo olhar para ti, e ver que ao teu lado estão as pedras, a água, as flores e os pássaros, e que quando tu conseguires ver o que que eu vejo, serás capaz de voltar a sorrir, pois vais perceber que tudo permaneceu lá, incluíndo tu. Tu estás viva. Lembra-te apenas disto. Podes sempre ter esperança ainda. E um beijo meu.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

de costas voltadas

Quando olhei para trás, já lá não estavas... tinhas seguido o teu caminho, na direcção oposta à minha, para um lugar longe, onde não te conseguia ver, do sítio onde fiquei parada, estupefacta ao ver-te partir, vazia de argumentos e cheia de dúvidas. Chorei a tua ausência durante dias a fio. Hoje olho para trás e apenas fica a silhueta, os contornos da tua imagem, as frases inacabadas e as palavras no ar, desorganizadas. Procurei em mim a plasticidade que me permitiria reorganizar o texto, mas o vento soprou mais forte e tu desfizeste-te em pensamentos soltos e intenções sem propósito. Continuei o meu caminho, confiante e já sem ti, e quando tu correste para me apanhar, já eu tinha saído do meu altar. Andamos como cão e gato, num jogo que oscila entre a brincadeira de animais inocentes e a fúria de quem quer vencer.
Andamos em direcções opostas e, provavelmente, como "o mundo é pequeno e redondo", voltaremos a encontrar-nos por aí, frente a frente outra vez, para mais uma guerra fria e promessas de nunca nos largarmos. Como uma pista de carros, oval e monótona, a vida é feita de voltas e voltas, apetece-me cantar: "as voltas desta vida, trouxeram-nos aqui... (...) é assim mesmo, é para mim e é para ti! Se olhares com cuidado, verás muito mais além... (...) é assim mesmo, faz viver e sonhar também, faz viver e sonhar também...". Bons tempos...
Há cerca de um mês alguém me disse: "os bons tempos são agora, pois daqui a uns anos vais estar a referir-te aos tempos de agora como "os bons tempos"". Certo. Concordo. Vivo por isso cada dia feliz por existir, feliz por ser feliz e apenas trago em mim todos os contos de fadas que já vivi, as voltas que dei, todas as palavras que escrevi e todas as canções que cantei.
Hegel tinha razão. Voltarei a ti, mas serei já outra, mais completa e preenchida, com mais bagagem e menos certezas. E tudo serão bons tempos.