terça-feira, 29 de julho de 2008
nostalgia
A ressaca é um fenómeno estranho, que nos preenche a cabeça com as saudades do que vivemos, e com as dores das angúsias do dia seguinte. Devia haver uma pílula contra essas ressacas de bons momentos, que se tomava no dia seguinte, e as memórias esvaíam-se, as angústias atenuavam, as saudades dissolviam-se. Podia ser uma coisa do género do Gurozan, que minimizasse as dores psicológicas e emotivas, em vez das dores de cabeça e de corpo. Devia haver uma aspirina da alma que nos aliviasse as dores de coração ou então que nos prolongasse o efeito analgésico, como se de uma morfina se tratasse. Devia poder ser fácil manipular os sentimentos e o relógio, alterar as datas e os horários, transportar para hoje os dias de antes, e manter assim a serenidade mental e emocional, por forma a que a palavra nostalgia pudesse desaparecer do dicionário da porto editora. Devíamos poder parar o tempo e os sentimentos e não andar ao sabor dos dias e das noites mal dormidas. Devíamos poder assegurar o tempo, manter em nós o que nos faz bem, viver para sempre aquela fracção de segundo em que o tempo parou, a mesma que fez virar o mundo do avesso, que fez a terra girar mais rápido, e que fez perder o norte e acender o sinal verde. Dá-nos o mundo capacidades e oportunidades, um vasto leque de opções a cada segundo que passa, e porque não sabemos nós por onde ir? Fazer as malas e seguir pode ser tão difícil assim? Mil perguntas todos os dias, mil sensações todas as horas, mil silêncios todas as noites...será esta vida cheia de mil coisas, ou vazia de uma só?
quarta-feira, 23 de julho de 2008
caminhada
Tens razão, não me vou deixar vencer pelo cansaço. Não vou adormecer com medo do dia de amanhã, e receio que me faltem as forças, ou as vontades. Não vou deixar de me deixar levar, pela música, pelo canto do cisne, pela força da orquestra. A minha dança vive hoje, com a garra de quem voa, contigo. Crio-te em cada gesto, estico-me para te alcançar, altero os parâmetros e as escalas. Entre os actos nasce um novo personagem, uma nova roupagem, novas imagens e novos desejos de saltar, rodar, espreguiçar.
A noite cai e o cansaço aumenta, aparece a preguiça, de mãos dadas com a ternura. Deito a cabeça na almofada, e quando fecho os olhos, apenas tenho tempo para sentir a tua falta e já estou de novo a acordar, pronta para uma nova viagem, nova cumplicidade, nova roupagem, novas imagens e novos desejos de saltar, rodar, espreguiçar.
Vivemos um dia de cada vez, e cada um é uma vitória. Cada sorriso arrancado, um chá quente no Inverno; cada tarefa cumprida, um oásis no deserto; cada segredo contado, um abraço eterno e doce. Quando tudo terminar, chegarei a algum lado. E embora ainda não saiba onde, nem como, garanto-te, quando tudo acabar, estarei pronta para nova roupagem, novas imagens e novos desejos de saltar, rodar, espreguiçar.
Nessa altura, não vou parar, correrei mundo fora em viagens de sonho, comprarei vouchers de teleféricos para a lua, lançarei no ar o perfume de quem ama a vida, para te contagiar, e continuarei em frente, com passo firme de quem dança em cada caminhada, de quem tem uma nova roupagem, novas imagens e novos desejos de saltar, rodar, espreguiçar.
A noite cai e o cansaço aumenta, aparece a preguiça, de mãos dadas com a ternura. Deito a cabeça na almofada, e quando fecho os olhos, apenas tenho tempo para sentir a tua falta e já estou de novo a acordar, pronta para uma nova viagem, nova cumplicidade, nova roupagem, novas imagens e novos desejos de saltar, rodar, espreguiçar.
Vivemos um dia de cada vez, e cada um é uma vitória. Cada sorriso arrancado, um chá quente no Inverno; cada tarefa cumprida, um oásis no deserto; cada segredo contado, um abraço eterno e doce. Quando tudo terminar, chegarei a algum lado. E embora ainda não saiba onde, nem como, garanto-te, quando tudo acabar, estarei pronta para nova roupagem, novas imagens e novos desejos de saltar, rodar, espreguiçar.
Nessa altura, não vou parar, correrei mundo fora em viagens de sonho, comprarei vouchers de teleféricos para a lua, lançarei no ar o perfume de quem ama a vida, para te contagiar, e continuarei em frente, com passo firme de quem dança em cada caminhada, de quem tem uma nova roupagem, novas imagens e novos desejos de saltar, rodar, espreguiçar.
sexta-feira, 11 de julho de 2008
Outono
Passou um mês desde a útima vez. Onde estiveste, entretanto?
Dantes ainda ligavas, ainda visitavas, ainda perguntavas e procuravas. Agora deixaste de vir, de querer saber, de procurar e de perguntar.
Acomodaste-te à situação? Ter-te-á sido a ausência confortável? Ou caíu em ti uma culpa tremenda que não te deixa levantar? Conseguirás ainda seguir em frente e enfrentar as folhas do Outono a cair, enquanto na tua vida nada cai?
Dantes ainda ligavas, ainda visitavas, ainda perguntavas e procuravas. Agora deixaste de vir, de querer saber, de procurar e de perguntar.
Acomodaste-te à situação? Ter-te-á sido a ausência confortável? Ou caíu em ti uma culpa tremenda que não te deixa levantar? Conseguirás ainda seguir em frente e enfrentar as folhas do Outono a cair, enquanto na tua vida nada cai?
segunda-feira, 7 de julho de 2008
tic tac
Foge o tempo como foge o alento, a esperança que devia sossegar a alma, a mão que devia apoiar o coração, e aconchegar, para aquecer. Saem as palavras sem nexo, sem ordem, sem fio condutor, esbarram na garganta apertada que não deixa passar. Desarmam-se os dias, sem norte nem sul, caminhamos simplesmente porque pomos um pé à frente do outro. Enche-se de vazio o relógio, desencanta-se o pensamento, adormece a paixão, tropeça-se na inércia da dúvida, permanece imóvel o corpo e triste a alma.
Há dias em que nada parece valer, em que já não apetece brincar mais, em que emerge a vontade de gritar: "arrebenta a bolha!", e deixar ficar, deixar chorar, deixar andar e deixar fugir. Segue em frente o ponteiro, não hesitante, convicto de seu percurso às voltas, em voltas intermináveis e sufocantes, rotativas e repetitivas. Porque nunca pensou ele em andar para trás?
Todos nós já pensámos um dia em voltar atrás, em reverter a ordem das coisas e inverter os seus sentidos, todos nós já questionámos se o caminho que percorremos nos leva felizes a algum lado melhor. A felicidade está nos percursos, não nos fins, está no dia a dia, debaixo do nosso nariz, nas pequenas e boas coisas da vida, aquelas que nos povoam a memória e nos fazem dar gargalhadas anos depois. Veremos se se mantém a antiga acapacidade de gargalhar de forma desmedida, daqui a uns anos, ou daqui a uns dias, ou até daqui a umas horas, talvez surja a resposta, para esta pergunta que nunca foi respondida. Tic tac, tic tac...
Há dias em que nada parece valer, em que já não apetece brincar mais, em que emerge a vontade de gritar: "arrebenta a bolha!", e deixar ficar, deixar chorar, deixar andar e deixar fugir. Segue em frente o ponteiro, não hesitante, convicto de seu percurso às voltas, em voltas intermináveis e sufocantes, rotativas e repetitivas. Porque nunca pensou ele em andar para trás?
Todos nós já pensámos um dia em voltar atrás, em reverter a ordem das coisas e inverter os seus sentidos, todos nós já questionámos se o caminho que percorremos nos leva felizes a algum lado melhor. A felicidade está nos percursos, não nos fins, está no dia a dia, debaixo do nosso nariz, nas pequenas e boas coisas da vida, aquelas que nos povoam a memória e nos fazem dar gargalhadas anos depois. Veremos se se mantém a antiga acapacidade de gargalhar de forma desmedida, daqui a uns anos, ou daqui a uns dias, ou até daqui a umas horas, talvez surja a resposta, para esta pergunta que nunca foi respondida. Tic tac, tic tac...
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