Quando olhei para trás, já lá não estavas... tinhas seguido o teu caminho, na direcção oposta à minha, para um lugar longe, onde não te conseguia ver, do sítio onde fiquei parada, estupefacta ao ver-te partir, vazia de argumentos e cheia de dúvidas. Chorei a tua ausência durante dias a fio. Hoje olho para trás e apenas fica a silhueta, os contornos da tua imagem, as frases inacabadas e as palavras no ar, desorganizadas. Procurei em mim a plasticidade que me permitiria reorganizar o texto, mas o vento soprou mais forte e tu desfizeste-te em pensamentos soltos e intenções sem propósito. Continuei o meu caminho, confiante e já sem ti, e quando tu correste para me apanhar, já eu tinha saído do meu altar. Andamos como cão e gato, num jogo que oscila entre a brincadeira de animais inocentes e a fúria de quem quer vencer.
Andamos em direcções opostas e, provavelmente, como "o mundo é pequeno e redondo", voltaremos a encontrar-nos por aí, frente a frente outra vez, para mais uma guerra fria e promessas de nunca nos largarmos. Como uma pista de carros, oval e monótona, a vida é feita de voltas e voltas, apetece-me cantar: "as voltas desta vida, trouxeram-nos aqui... (...) é assim mesmo, é para mim e é para ti! Se olhares com cuidado, verás muito mais além... (...) é assim mesmo, faz viver e sonhar também, faz viver e sonhar também...". Bons tempos...
Há cerca de um mês alguém me disse: "os bons tempos são agora, pois daqui a uns anos vais estar a referir-te aos tempos de agora como "os bons tempos"". Certo. Concordo. Vivo por isso cada dia feliz por existir, feliz por ser feliz e apenas trago em mim todos os contos de fadas que já vivi, as voltas que dei, todas as palavras que escrevi e todas as canções que cantei.
Hegel tinha razão. Voltarei a ti, mas serei já outra, mais completa e preenchida, com mais bagagem e menos certezas. E tudo serão bons tempos.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário