Foge o tempo como foge o alento, a esperança que devia sossegar a alma, a mão que devia apoiar o coração, e aconchegar, para aquecer. Saem as palavras sem nexo, sem ordem, sem fio condutor, esbarram na garganta apertada que não deixa passar. Desarmam-se os dias, sem norte nem sul, caminhamos simplesmente porque pomos um pé à frente do outro. Enche-se de vazio o relógio, desencanta-se o pensamento, adormece a paixão, tropeça-se na inércia da dúvida, permanece imóvel o corpo e triste a alma.
Há dias em que nada parece valer, em que já não apetece brincar mais, em que emerge a vontade de gritar: "arrebenta a bolha!", e deixar ficar, deixar chorar, deixar andar e deixar fugir. Segue em frente o ponteiro, não hesitante, convicto de seu percurso às voltas, em voltas intermináveis e sufocantes, rotativas e repetitivas. Porque nunca pensou ele em andar para trás?
Todos nós já pensámos um dia em voltar atrás, em reverter a ordem das coisas e inverter os seus sentidos, todos nós já questionámos se o caminho que percorremos nos leva felizes a algum lado melhor. A felicidade está nos percursos, não nos fins, está no dia a dia, debaixo do nosso nariz, nas pequenas e boas coisas da vida, aquelas que nos povoam a memória e nos fazem dar gargalhadas anos depois. Veremos se se mantém a antiga acapacidade de gargalhar de forma desmedida, daqui a uns anos, ou daqui a uns dias, ou até daqui a umas horas, talvez surja a resposta, para esta pergunta que nunca foi respondida. Tic tac, tic tac...
segunda-feira, 7 de julho de 2008
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