terça-feira, 29 de julho de 2008
nostalgia
A ressaca é um fenómeno estranho, que nos preenche a cabeça com as saudades do que vivemos, e com as dores das angúsias do dia seguinte. Devia haver uma pílula contra essas ressacas de bons momentos, que se tomava no dia seguinte, e as memórias esvaíam-se, as angústias atenuavam, as saudades dissolviam-se. Podia ser uma coisa do género do Gurozan, que minimizasse as dores psicológicas e emotivas, em vez das dores de cabeça e de corpo. Devia haver uma aspirina da alma que nos aliviasse as dores de coração ou então que nos prolongasse o efeito analgésico, como se de uma morfina se tratasse. Devia poder ser fácil manipular os sentimentos e o relógio, alterar as datas e os horários, transportar para hoje os dias de antes, e manter assim a serenidade mental e emocional, por forma a que a palavra nostalgia pudesse desaparecer do dicionário da porto editora. Devíamos poder parar o tempo e os sentimentos e não andar ao sabor dos dias e das noites mal dormidas. Devíamos poder assegurar o tempo, manter em nós o que nos faz bem, viver para sempre aquela fracção de segundo em que o tempo parou, a mesma que fez virar o mundo do avesso, que fez a terra girar mais rápido, e que fez perder o norte e acender o sinal verde. Dá-nos o mundo capacidades e oportunidades, um vasto leque de opções a cada segundo que passa, e porque não sabemos nós por onde ir? Fazer as malas e seguir pode ser tão difícil assim? Mil perguntas todos os dias, mil sensações todas as horas, mil silêncios todas as noites...será esta vida cheia de mil coisas, ou vazia de uma só?
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