Andas fugida, andas ausente, andas às voltas e nunca estás em lado algum. Portas-te como um fantasma cumpridor da sua tarefa de existir, ou de não existir, e mais nada. Custa quando chega o anoitecer, custa quando o sol se esconde e com ele leva a alegria da luz e o brilho de um olhar sozinho.
Quando nasce o dia e se abrem as pestanas, solta-se o sorriso ensonado e molengão de quem rebola mais uma vez no leito e se tapa, como se jogasse às escondidas com o sol. O quente a bater na cara, a aquecer a alma, e preencher o espaço do quarto, a esconder-se por baixo dos lençóis assim que te distrais e levantas distraída o lençol tom de rosa. Diziam os antigos: "O frio também tem frio!", e é talvez por isso que ele se enfia dentro dos lençóis quando tem espaço para se esgueirar.
É como tu, que te esgueiras para a cama, te rebolas e espreguiças, que sonhas e sorris quando o sol te beija a cara de manhã.
Escorregas por entre os dedos das mãos como foge a água quando a tentas agarrar. Fria como a água, e transparente como sempre foste, cheiras a mar, danças como as ondas e brilhas quando o sol chega a ti.
Murmuras por entre a espuma, segredos que só tu sabes, trauteias canções de sempre numa memória onde te moves. Só tu conheces os refrões como ninguém, só tu reconheces as melodias com que sonhas, só tu podes cantar a tua vida, mas em playback, porque mais ninguém te pode ouvir.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
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