sábado, 7 de março de 2009

cores primárias

Um dia roubo-te as palavras, quando não souber o que dizer, ou como o fazer...sabes a lemas e desabafos, enches todo o espírito que a imaginação pode preencher, encantas corações com poesia e contas histórias, sem pontos acrescentados.
Já te li, já te escrevi, já te imaginei, sem perguntar nada. Foi sem querer que bateste à porta do sonho. Foi sem querer que te folheei.
Um dia alguém disse: Inspiro-me nos melhores para seguir o rumo certo. Sim, sem dúvida, beberei de ti o sumo da vida, procurarei saber tudo, até a que sabe a lua.
Mas sou como a outra, também como eu: Gosto das primeiras palavras, com toque de silêncio envergonhado. Gosto do pequeno ponto azul e do pequeno ponto amarelo. Gosto quando se abraçam e se unem simbioticamente num verde novo. A descoberta, a mistura, a permeabilidade das relações, a eficácia de um olhar. Quando te toquei a primeira vez, tudo era novo, tudo se tornou verde, quando dissemos as primeiras palavras. Mesmo sendo esse um abraço que carregava no seu movimento um aperto de carinho enorme e amor incondicional, um daqueles que duram muitos minutos, e em que a intensidade apenas aumenta, para se fundirem os dois num só. Mas mesmo esse abraço, esse mesmo grande e bom, deixou saudades nos pontos, muitas saudades em cada ponto. E foi com as lágrimas que voltámos a ser o pequeno ponto azul e o pequeno ponto amarelo, e se divorciaram as cores. Foi com a saudade de nós próprios, mesmo gostando do abraço verde. Mesmo gostando de ti.

2 comentários:

David disse...

Sempre deslumbrante... Bom fim de semana!

David disse...

Sempre deslumbrante...