Às vezes olho para trás e não sei que pensar...todas as aventuras, todos os minutos bem passados, os que correram mal, as pessoas que conheci, as opções que tomei, as músicas que ouvi, as canções que cantei...tudo o que me constitui como pessoa, me completa e me constrói, são simplesmente as minhas opções, ou pelo contrário serão os presentes que a vida me ofereceu?
Quantas vezes deixei arrastar decisões, para que os outros as tomassem por mim, quantas vezes deixei de fazer algo, à espera que a vida se encarregasse de tal fardo?
No dia em que pensei que a minha vida ia acabar, senti-me sem forças, não gritei, não fugi, não bati com a porta...minha querida mãe, que me ajudaste nessa noite que parecia não ter fim! No dia seguinte, e daí para a frente, tudo mudou. Terei perdido o respeito pelos outros, terei eu desorganizado os padrões do certo e do errado, que culpa tenho eu de ter sofrido?
Um dia deito a cabeça no teu colo e conto-te tudo, ou talvez não seja preciso. As razões são de cada um, e o que valem para mim, não valem para o vizinho...
De vez em quando somos chamados à razão, e de repente, eu caí nas minhas e tu ficaste com as tuas...ter-nos-emos desencontrado? Estradas paralelas, bifurcações e cruzamentos, tudo isto numa vida cheia de caminhos errantes e desviados de sentido, não de sentimento.
Vale a pena pensar em tudo? Vale a pena tentar compreender e encaixotar a vida, como se fôssemos mudar de casa? Vale a pena equacionar os momentos, quando o tempo não é equacionável? Vale a pena etiquetar momentos, para sentirmos o arquivo organizado?
Ortega y Gasset dizia: "Eu sou eu e a minha circunstância". Cada um de nós tem os seus ingredientes, e é por isso que somos tão diferentes, tão misteriosos, tão mágicos. Eu posso ter o sal que te falta, tu podes ter a pimenta que me preenche... A vida que construí, tantas vezes sem querer, é tudo o que tenho, neste momento, aqui e agora. Amanhã talvez seja dia de ir ao supermercado...
terça-feira, 10 de junho de 2008
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